Segunda, 6 de outubro de 2008  

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A PraticagemHistória

Como tudo começou

O homem habita a terra firme, mas os oceanos, mares, rios, lagos, lagoas e igarapés sempre tiveram e continuarão tendo influência na evolução das civilizações. As civilizações mais florescentes surgiram nas praias do mundo. As populações mais desenvolvidas do planeta estão relacionadas com o intenso comércio marítimo.

Longe de separar a humanidade, os oceanos uniram suas frações e difundiram sua cultura. Há mais de trinta séculos os gregos do mar Egeu partiam para todo o Mediterrâneo. O povo do mar Egeu, na Idade do Bronze, era fascinante em seu talento marítimo.

O mar sempre encantou o ser humano e o desafiou para longas incursões, daí o surgimento da navegação e, posteriormente da Praticagem.

Nos primórdios, os Práticos eram chamados de LODEMAN, expressão que, literalmente, significa 'homem guia'. Eram os peritos no uso do 'lodestone' ou 'waystone', minério magnético conhecido como imã, forma primitiva de bússola.

A palavra Prático (PILOT) vem do holandês seguindo a composição: PIELON – para sondar; LOGO – piloto; e LOOT – direção da profundidade.

Uma das primeiras referências sobre o serviço de praticagem data de quatro mil anos, no tempo de Abraão. Naquela época, já existiam os Práticos de UR, na Caldéia. Na Bíblia, há referências sobre Práticos e o papel destes em auxiliar o navio que navega pela costa: “... os teus sábios, ó Tiro, foram os teus pilotos...” (27, Ezequiel).

Fenícios e gregos, dados à navegação, possuíam Práticos em seus navios servindo de guia em suas manobras portuárias. Na realidade, os gregos foram os povos antigos mais desenvolvidos na navegação, pois contavam com experientes navegadores e pilotos de grande conhecimento da área e mais, a presença de Práticos para as manobras portuárias.

Deve-se aos Práticos a construção de molhes de proteção às bacias de manobras dos portos, foram os primeiros a utilizar o cais para atracação dos navios, uma vez que inicialmente os navios encalhavam na praia para carga e descarga de passageiros e mercadorias. Atenas, uma das principais cidades gregas, possuía um grande porto, entreposto de mercadorias e armazéns para estocagem. Os gregos possuíam sinais luminosos, na costa ou a bordo, o que muito auxiliava a navegação.

Os exploradores compreenderam a necessidade dos Práticos e freqüentemente empenharam suas viagens juntamente com eles. Marco Pólo e Vasco da Gama utilizaram os serviços de práticos árabes que exibiam conhecimento de navegação superior e utilizavam equipamentos sofisticados, tal como o 'al kamal', precursor do '“octante'” e sextante, para determinar a latitude onde se encontravam as embarcações.

Marítimos em partes diferentes do mundo exibiam muitas habilidades especializadas. Os marítimos do Mediterrâneo, por exemplo, eram notáveis, os genoveses e venezianos foram muito influentes devido suas habilidades na navegação. Mapas das águas do Novo Mundo refletiam uma influência Italiana e Majorca-Judaica. Quando Cristóvão Colombo ancorou na pequenina Ilha de Conceição, depois de cruzar a desconhecida região ocidental do Oceano Atlântico, ele teve 'Juan de la Cosa'” como seu Prático chefe. Este mesmo Prático acompanhou Colombo na sua segunda viagem onde também desempenhava a função de cartógrafo chefe. A Caravela 'Spaniards', que explorou a costa do Atlântico Norte, o Golfo do México e costa da Flórida, trouxe um dos primeiros Práticos, identificado como '“Anton de Alaminos', que não só ofereceu sua experiência na extensa costa, mas também a descoberta da corrente do Golfo do México. O conhecimento desta corrente foi muito importante à navegação segura de embarcações através de recifes, barras, canais, e o movimento dos bancos de areias, levando os Práticos à sabedoria da navegação em águas restritas e portos.

Por volta de 1500, os espanhóis influenciavam a navegação desde a Espanha até o Caribe. O primeiro governo espanhol e mais importante foi Santo Domingo, La Hispaniola. Mais tarde Havana, Cuba, ficou sendo o centro do governo regional Espanhol. San Juan, Puerto Rico, seguia como um centro importante também. Durante aquele período, despachava-se da Espanha o serviço para as áreas sob seu controle. Faziam-se paradas em St. Augustine e St. Helena onde embarcavam pilotos locais para orientar suas embarcações.

Somente no século dezesseis a praticagem se tornou organizada como instituição. Isto ocorreu na Grã-Bretanha em 1515 , com Henrique VIII, com a criação da Casa da Trindade e seu Guia dos Marinheiros, tornando-se modelo para as outras praticagens do mundo.

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