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Amazonas - O Rio-Mar

Segundo a Sociedade National Geographic, em registro de 1971,
o Amazonas nasce na montanha Mismi, de 5.597 metros, na região
peruana de Arequipa, na Cordilheira dos Andes.

O maior rio do mundo atravessa sua grandiosidade por cinco países da América do Sul levando beleza e sustento para quem vive às suas margens
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começaram a confirmar que o rio Amazonas é o maior do mundo.Eles procuram na Cordilheira dos Andes, Peru, a nascente do gigante, que brota a cerca de 10 graus de latitude sul e a 5,5 quilômetros de altitude, correndo quase sem variação de latitude em direção oeste-leste até a foz. No Peru, o Amazonas recebe os nomes de Tunguragua e Marañon; no Brasil, é conhecido também como Solimões, no estado do Amazonas.

Os cientistas, que utilizaram imagens de satélites da Nasa, a Agência Espacial norte-americana, consideraram que o Amazonas começa no seu tributário mais distante e não no mais volumoso. Assim, nasceria no rio Ucayalli, no Peru, que surge da nascente do Apurimac e não do rio Marañon, como estabeleceu-se nos livros de geografia. O pesquisador do Inpe, Oton Barros, observou, também em imagens de satélite, que o rio-mar nasce numa altitude de mais de 5,5 mil metros de altitude, provavelmente em um córrego que se avoluma no rio Lloqueta, principal formador do Apurimac ou Ucayalli.

Segundo a Sociedade National Geographic, em registro de 1971, o Amazonas nasce na montanha Mismi, de 5.597 metros, na região peruana de Arequipa, na Cordilheira dos Andes, informação confirmada em 1982 pelo oceanógrafo francês Jacques Costeau. Os cientistas da National Geographic, de diversos países, utilizaram o Global Positioning System (GPS) e percorreram os cinco rios peruanos que se unem para formar o Amazonas: Apurimac, Huallaga, Mantaro, Marañon e Urubamba-Vilcanota, formadores do lago Lauricocha.

O Amazonas foi chamado pelo navegador espanhol Vicente Pizón, no século 15, de Mar Doce. Sua boca, que vai do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, escancara-se por cerca de 250 quilômetros. Sua água marrom penetra mais de 300 quilômetros no azul do mar, fertilizando o Atlântico com pelo menos 11% da água doce do planeta. Esse mundo líquido e doce atinge o Caribe, o Gulf Stream e o sul da Flórida, Estados Unidos, onde pode-se encontrar vegetação típica da Amazônia, fruto das sementes do Trópico Úmido arrastadas pelo Mar Doce até o limite do trópico setentrional.

Imagens feitas por satélites da NASA estão ajudando os pesquisadores a confirmar a dimensão do rio Amazonas
O colosso marrom é a espinha dorsal da maior bacia hidrográfica do mundo, formada por mais de mil gigantes, numa área de 5.846.100 quilômetros quadrados, no norte da América do Sul, banhando Peru, Colômbia, Brasil, Bolívia, Equador, Venezuela e Guiana. Só a bacia do rio Negro contém mais água doce do que a Europa.

O nível das águas do Amazonas varia em média 10,55 metros. Suas águas correm a uma velocidade média de 2,5 quilômetros por hora, chegando a 8 quilômetros, em Óbidos, cidade paraense a mil quilômetros do mar e ponto de sua garganta mais estreita, com 2 quilômetros e 600 metros de largura. A parte mais larga, fora do estuário, fica próxima à embocadura do rio Xingu, à margem direita, com 20 quilômetros de largura, mas nas grandes cheias pode chegar a mais de 50 quilômetros. O Amazonas é navegável por navios de alto-mar da embocadura à cidade de Iquitos, no Peru, ao longo de 3.700 quilômetros. Seu talvegue, nesse curso, sempre superior a 20 metro, chega a meio quilômetro de profundidade próximo à foz.

A vazão do Rio-Mar é de pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo, o suficiente para encher 8,6 baías da Guanabara em um dia. No Atlântico, despeja, em média, 400 mil metros cúbicos por segundo, volume que pode chegar a 600 mil metros cúbicos. Despeja também no Atlântico, diariamente, 3 milhões de toneladas de sedimento.

Para o ribeirinho, o rio Amazonas e seus mil afluentes representam, simplesmente, a vida.

Texto: Ray Cunha - Agência Amazônia
* Foto: Image courtesy of Earth Sciences and Image Analysis Laboratory, NASA Johnson Space Center.


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